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Jesus me ajudou a vencer a depressão

CRISTIANE

“Em 1998, a minha mãe foi diagnosticada com câncer de mama, mas graças a Deus foi curada. No entanto, em 2005, meu pai, minhas quatro irmãs e eu tivemos a triste notícia que o câncer havia voltado em três órgãos: pulmão, fígado e ossos, o que nos deixou bastante abalados. Passados três meses da notícia do câncer de minha mãe, meu pai notou que estava com uma ferida na língua. Após exames, foi constatado que ele também estava com câncer não só neste órgão, mas também no esôfago, devido ao vício em cigarro. Novamente, parecia que o chão estava se abrindo diante da minha família.
Perante esse quadro, além de já estarmos lutando contra o câncer da nossa mãe, era também o momento de enfrentarmos mais esta nova batalha: a mesma doença em nosso pai. Minhas irmãs e eu, cada vez mais, passamos a dedicar parte do nosso tempo aos nossos pais. Ora um fazia cirurgia, ora outro realizava sessões de quimioterapia e radioterapia e, assim, vivíamos naquele cenário de hospitais.
Porém, em outubro de 2006, em meio à luta contra o câncer, minha mãe também sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e, com isso, ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado. Sem pensar duas vezes, pedi demissão do emprego e me dediquei totalmente a ela. Fiquei por 30 dias no hospital, e, quando ela voltou para casa, fiquei responsável pelos seus cuidados pessoais como dar banho, comida, trocar fralda, e acompanhá-la nas sessões de fisioterapia, entre outras coisas. Minhas irmãs sempre estavam por perto me dando suporte e cuidando do meu pai, que também necessitava de atenção e cuidados.
cadeira-rodas-coma-436(1)Após o AVC, a saúde da minha mãe ficou ainda mais debilitada. Isso, na verdade, era um sinal de que ela estava na fase terminal da doença. Certa manhã, acordou passando muito mal e, novamente, nós a levamos para o hospital. Porém, dessa vez, foi e não mais voltou. Ela faleceu.
Com o seu falecimento, pude entender verdadeiramente o que é a morte. Já havia ido a vários sepultamentos, mas nem de longe tinha a noção do que ela realmente representa. Dentro de mim era um vazio tão grande, que parecia que alguém havia enfiado a mão dentro do meu peito e arrancado o meu coração. Havia também um “nó” na minha garganta e um desconforto terrível, que me deixava sem lugar. Enfim, era uma dor e uma tristeza difícil de descrever.
Lembro–me que a minha mãe morreu num sábado e, no domingo, pela manhã, realizamos o seu enterro. Logo após, voltei para a casa, e, fui direto até ao seu quarto. Vi seus objetos pessoais que, agora, não passam de lembranças, e outros que lembravam como estava sua rotina dos últimos dias de vida: cadeiras de rodas, medicamentos, fraldas, entre outros. Naquele momento, eu só queria sumir da minha casa e não enfrentar aquela nova realidade que estava diante de mim.
Naquele domingo, tive a sensação de que um novo tempo na minha vida estava iniciando. Um tempo de muita tristeza e de muita revolta contra Deus. Comecei a questioná-lo por que Ele havia permitido que os meus pais adoecessem na mesma época. Por que Ele não curou a minha mãe, sendo que Ele é o Deus da cura. Na verdade, eu só queria e sabia fazer questionamentos, os quais vinham acompanhados de muita murmuração.
A depressão
Com o passar dos dias, a ausência da minha mãe era algo que ainda muito me machucava e deixava deprimida. Além da tristeza, passei também a sentir uma forte queimação no estômago, o que me fez marcar um consulta médica.
depressãoDurante o atendimento, o médico me perguntou o que estava sentindo. Eu chorava tanto, que mal conseguia explicar. Ele, então, me examinou e solicitou que realizasse alguns exames. Ao retornar ao seu consultório, analisou os resultados dos exames e me disse que eu estava com gastrite, esofagite, hérnia de hiato e depressão. A morte da minha mãe e a doença do meu pai estavam me abalando emocionalmente e, com isso, causando esses problemas de saúde.
Devido ao meu quadro clínico, ele receitou alguns medicamentos para tratar a gastrite, a esofagite e a hérnia, bem como um antidepressivo. Ao sair do consultório, fui até uma farmácia para comprar os remédios. Entreguei a receita para o farmacêutico e mal pude acreditar que ele estava me entregando um medicamento de tarja preta. Lembro-me que na hora me veio à mente o seguinte pensamento: “Como assim? Eu, uma pessoa que sempre fui alto astral, bem-humorada, engraçada e divertida, como muitos costumam me descrever, comprando um remédio de tarja preta? Um antidepressivo?”
À tarde, ao chegar à casa, tomei os medicamentos, exceto o voltado para a depressão, pois este deveria ser tomado à noite, antes de dormir. No primeiro dia em que tomei o remédio, eu “apaguei”, coisa que não fazia há tempos. As noites para mim eram uma tortura e muito longas. Pareciam que nunca passavam. Eu não conseguia dormir e a cena do velório de minha mãe não saía dos meus pensamentos. Era horrível! Eu ligava a TV para me distrair e esperar o sono chegar, mas ele não vinha. Então, a desligava e tentava dormir de novo, mas não conseguia. Até pensava em ler a Bíblia, mas não tinha força e nem vontade, pois estava “brigada” com Deus.
tvQuanto ao antidepressivo, comecei a vê-lo como algo bom. Ele me causava muito sono e, com isso, dormia bastante. E, enquanto dormia, me esquecia daquele mundo triste em que estava vivendo. A verdade é que eu não gostava quando o dia amanhecia. O amanhecer me obrigava a levantar para fazer as minhas atividades domésticas e, a única coisa que desejava, naquela hora, era ficar quietinha no meu quarto escuro, sem fazer nada e sem ver ninguém. Quando acordava, não tinha vontade de tirar o meu pijama, e, nem mesmo comer.
Recordo-me que, após o falecimento da minha mãe, tive a oportunidade de voltar para o meu antigo trabalho, mas como ainda me sentia abalada emocionalmente, achei melhor continuar mais um tempo em casa, para tentar me reerguer e continuar cuidando do meu pai, que também não estava nada bem, devido à doença que o debilitava e à ausência de minha mãe.
Após alguns meses em que já estava tomando o antidepressivo, passei a me sentir melhor. A tristeza ainda era grande, mas minha disposição para viver estava voltando. E, passado um tempo em que estava tomando o medicamento, era chegado o momento de retornar ao médico. Durante a consulta relatei que não sentia mais as dores estomacais, mas quando comecei a falar sobre a dor da perda da minha mãe, chorei bastante. Ao me ver ainda muito abalada, o médico novamente fez outra receita e disse que eu deveria continuar fazendo o uso do antidepressivo. Saí do consultório mais uma vez arrasada; porém, determinada a não tomar mais o remédio.
Nesta ocasião, estava afastada da Igreja Batista da Lagoinha, na qual sou membro, mas me lembro que alguém havia me dito que na IBL iria acontecer a Conferência do Espírito Santo. Então, peguei o meu carro e resolvi ir até o local. Durante o culto pedi ao Senhor que me curasse da depressão; que ressuscitasse os meus sonhos; e que pudesse voltar ao meu primeiro amor por Jesus. Após a reunião, voltei para a casa decidida a dar um novo rumo à minha vida. Conversei com meu pai e minhas irmãs, a fim de realizarmos algumas reformas na casa. Eles concordaram e, isso, me ajudou bastante, pois ocupou o meu tempo e distraiu a minha mente. Também comecei a praticar atividade física, conforme orientação do médico; e resolvi voltar a trabalhar.
Às vezes, confesso que os momentos de tristeza voltavam, mas eu não recuei em minha decisão. Definitivamente, aboli o antidepressivo da minha vida. Aos poucos, meu amor por Jesus voltou, bem como a vontade de ler a bíblia, ouvir louvores e frequentar a igreja.
Em 2010, o meu pai também faleceu por causa da doença, mas, graças a Deus, tive mais forças para encarar essa outra perda. Hoje, posso afirmar que com a ajuda de Jesus fui curada da depressão, voltei a ser quem era e não fiz mais uso de antidepressivos.”

Cristiane Soares

FONTE: http://www.lagoinha.com

by Heronildes Júnior, Richelly Italo